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  • Andre Lamartin

À Mulher Amada


Meus anos foram tão sofridos, na vida fui tão machucado, peço a Deus que me perdoe, amar foi o meu pecado. Meu coração não é como os outros, não se contém com um retrato, belas curvas não me seduzem, meu anseio é teu olhado. Vejo neles o mar aberto, o céu azul e estrelado. Vejo o sol e vejo a lua, resplandecentes e encantados, bailando em meio a astros que deslizam aveludados. O infinito do universo está contido em teu olhado, nele encontro tudo, meu verdadeiro significado. A razão pela qual existo não se contém em um pensamento, apenas sobejando no mais eterno sentimento, que não se ajoelha perante à vida, nem se curva perante o tempo, sua bravura é indômita, tua companhia o seu alento. Pois a solidão dos dias só adormece em teus braços, o vazio que me preenche só desvanece em teu enlaço. Tua partida é meu encontro com o fastio do atraso, uma espera ensandecida por um reencontro sempre marcado, arredio ao destino, insolente ao acaso, rebelde a tudo mais que nos mantenha afastados. A melodia da tua voz e a harmonia das tuas palavras, fazem da mais singela das conversas, uma sinfonia perfumada. Mas o mal que me aflige é saber mulher amada, que do alvor destas letras não fostes ao mundo transladada. Esta carta foi escrita para jamais ser esquecida, por aquela que como eu, sente-se uma alma perdida. Vagando pelo mundo em busca do seu significado, recusando-se a crer que o real é imaginário. Meus anos foram tão sofridos, na vida fui tão machucado, peço a Deus que me perdoe, amar é o meu pecado.


©2017 by Andre Lamartin